Artigo nº 003 - chamamento à participação cidadã

O golpe está montado: todos às ruas, os golpistas não passarão!


06/03/16 - O circo do golpe está montado. Mas como fora montado?
Nas eleições de 2014, a direita venceu na Câmara Federal, mas não conseguiu levar a Presidência da República: a vitória eleitoral ‘apertada’ de Dilma Rousseff, do PT, sobre Aécio, do PSDB, no Segundo Turno eleitoral foi e tem sido muito mal deglutida pela direita apátrida. Essa indigestão, logo chegou aos intestinos do sistema e foi alardeado pelos seus porta-vozes de plantão: os meios de comunicação hegemônicos, que, desde então, põem a todo vapor uma verdadeira cruzada pseudomoralista e seletiva contra a ‘corrupção’. Pseudomoralista? Sim, porque não existe capitalismo sem corrupção, pois no capitalismo tudo é ou tende a virar mercadoria. E a honra e a moral há muito tem estado à venda, embora existam muitos (mais do que pensamos) que não se vendam. Seletista? Sim, porque desde o princípio as denúncias levadas adiante sempre foram as que envolviam o PT. É bom que se lembre que surgiram várias denúncias, como por exemplo a do helicoca na fazenda do tio de Aécio, a compra por FHC da mídia, da reeleição e namorada: a jornalista da Globo Mirian Dutra, sem falar do tríplex da Rede Globo em Paraty.
No decorrer do 1º ano de mandato de Dilma (2015), a Globo lotou seu ‘jornalismo’ de notícias (factóides não comprovados) contrárias ao governo, sobretudo com base na Operação Lava Jato dirigida pelo ‘juiz’ Sérgio Moro com o auxílio luxuoso de Ministérios Públicos e Polícia Federal. Esta operação tinha dois focos: mostrar uma corrupção bilionária na Petrobrás com envolvimento de gente do governo (o que a direita chama de Petralhas) e desvalorizar a Petrobrás, com o fim de vendê-la bem barato mais lá na frente (antes ou depois do impeachment da Dilma).
Antes de seguirmos: algumas considerações sobre corrupção. 1) A corrupção no Brasil surge no período colonial com a chegada dos portugueses em 1500. Desde a Revolução de Avis (1385), que uniu a burguesia marítima, a monarquia de Avis e os interesses ingleses pela rota marítima do Mediterrâneo, já se podia falar de capitalismo português, empreendimentos marítimos e expansão colonial por parte da metrópole portuguesa. 2) A corrupção perpassa toda a história do Brasil e seria ingenuidade de nossa parte, senão desonestidade intelectual, pensá-la como uma invenção do petismo; aliás a mídia se cala diante do período de maior corrupção da história brasileira: o período do golpe civil-militar no Brasil (a própria TV Globo, fundada em 1965, ganhou com o golpe de 64!). Exemplos de escândalos da era militar: o complexo IPES/IBAD comprando deputados, senadores, militares e outros atores, o ‘milagre econômico’, o estouro da dívida externa, a inflação galopante da era Delfim Neto, o Escândalo Coroa-Brastel, a roubalheira seguida de falência do BNH (Banco Nacional de Habitação), o ministro Abi-Ackel e as pedras preciosas, as obras faraônicas e superfaturadas da Ponte Rio-Niterói, do Metrô do Rio, da Transamazônica, o Projeto Jari, o Projeto Carajás, as torturas nos calabouços, a censura aos meios de comunicação opositores, perseguições políticas, fechamento de sindicatos... 3) corrupção pressupõe dois lados: o corruptor (quem corrompe) e o corrupto (quem é corrompido): trata-se, portanto, de uma relação capitalista de compra e venda. Conclusão: se queres acabar com a corrupção, ponha em xeque o próprio capitalismo. Mas sem dúvida alguma não é esse o objetivo da Globo, que, além de defender o sistema capitalista, inclusive, defende, juntinho com o ‘juiz’ Sérgio Moro, a ‘delação premiada’ como método justo de obter informações(?) sobre corrupção: chame um ‘corrupto de verdade’ para delatar um ‘provável corrupto’ e dê ao corrupto delator alguma redução de pena, uma prisão domiciliar, entre outras ‘benesses’. Detalhe: Não precisa provar nada, basta acusar! Não seria este um método judicialmente corrupto? Não seria esse o método usado pela Santa Inquisição (que primeiro acusava a mulher de bruxa, para depois inventar as ‘provas’)? Não seria esse o método usado pelos nazistas (que prendia os que pensavam diferentes, acusando-os de fazer parte ou colaborar com uma suposta conspiração judaico-comunista)? Não seria esse o método usado pela ditadura civil-militar de 1964-1989 no Brasil (bastava um dedo-duro qualquer acusar alguém de ‘comunista’ ou ‘subversivo’ e lá ia o pobre coitado pra cadeia)? Não seria esse o método usado contra os pobres até hoje (basta prender um pobre e depois colocar em seu bolso a quantidade de drogas proporcional à pena que se lhe quer imputar)?
Pois, bem! Foi FHC que inventou o mensalão (mesada dada a congressistas para fazer passar uma série de medidas antipopulares e neoliberais, e a sua própria reeleição), foi o PSDB que privatizou ou leiloou (e isto não seria corrupção?) várias estatais que ajudavam o país a ser mais livre e independente: Vale do Rio Doce, Usiminas, CSN, etc. Mas, ‘a corrupção foi uma invenção do PT’, dizem a Globo e suas irmãs Record, SBT, RedeTV, Band, Veja, IstoÉ, Época, repetido por seus papagaios de plantão, ‘paneleiros’ da fome de golpe.
Mas, voltando a 2016, segue a manipulação midiática permanente com denúncias espetaculares de corrupção no país: inventou o tal tríplex de Atibaia, escarnou da canoa de 4 mil reais e dos dois pedalinhos de 2 mil. A Globo, orquestradora de golpes no país, todos construídos fora do país como sempre são os golpes, vem agora a público pedir o impeachment de Dilma e a prisão de Lula. Mas, logo veio a decisão do ‘juiz’ Moro, que a Globo soube antes mesmo da PF invadir o prédio onde mora Lula aos primeiros raios de sol da manhã de 4 de março: era a ‘condução coercitiva’ de Lula para depor na Polícia Federal no posto do aeroporto de Congonhas, sabidamente área de livre trânsito de ‘coxinhas’. A ‘lógica’ é: prender para depois ‘provar’ a ‘culpa’.  Na verdade, não adiantaria atacar Dilma (o presente) e deixar Lula (o futuro que se quer evitar) ileso.
Mas a crise tende agora a crescer. A 24ª etapa da operação Lava Jato funciona muito mais como um balão de ensaio para animar ‘coxinhas’ desanimados para que compareçam à Marcha direitista, fascista, reacionária, antidemocrática e golpista do próximo dia 13 de março de 2016. Caminhando na tendência oposta, a CUT, reunida no dia 6 de março na sede dos Bancários de SP, marcou uma série de passeatas pela democracia, antigolpista, antipreconceituosa e de esquerda para os dias 8, 18 e 31 de março. Ao que tudo indica, é nas ruas que se deve decidir o futuro do país.
Mas, é bom que observemos que a Constituição de 1988 vem sendo remendada desde o governo Collor (1990-1992). O processo de desregulamentação se dá por cima dos governos e independentemente deles, já que os lobbies das empresas funcionam não só no Congresso Nacional, assembleias legislativas e câmaras de vereadores (instâncias do poder legislativo), mas também nos poderes executivos e judiciários, e essa desregulamentação é, a princípio, econômica. Mas, a mídia acostumou o povo a colocar a culpa nos políticos (que segundo ela sempre se vendem!) e a não enxergar a culpa das empresas e conglomerados de empresas que compram estes políticos antes mesmo de chegarem ao poder - ainda nas campanhas eleitorais.
Mas é preciso perceber o que está por trás, o que está oculto: Como a desregulamentação da economia significa a piora das condições de vida da classe trabalhadora (privatizações e terceirizações é igual a, além dos impostos que você já paga, ter que pagar para a iniciativa privada para ter saúde, educação, moradia, pedágios, TV, telefones, celulares, segurança e o que mais vier), isso trará uma reação por parte da classe trabalhadora, mais cedo ou mais tarde. Mas, a fim de se antecipar à ação revolucionária das massas, que ainda está um pouco longe de acontecer, a elite burguesa nacional mais uma vez quer adiantar-se aos fatos (como é de hábito no Brasil): busca passar nas várias instâncias do poder legislativo e no ‘poder judiciário paralelo’ instituído pela Lava Jato, leis e ações que desregulamente também os direitos políticos e as liberdades individuais garantidas pela Constituição republicana brasileira e pela Declaração Universal dos Direitos Humanos: via Lei antiterrorista, Escola sem partido, prender primeiro e provar depois (aprovada pelo STF! Pode isso?), etc.
Por último, uma questão delicada: sabemos quão problemático tem sido o projeto do PT. Não é de hoje que vem se afastando de seus princípios fundadores. Ainda em 1992, seguindo orientações vindas diretamente do Papa João Paulo II, surfando na onda conservadora da época, a tendência majoritária do PT, conhecida por Articulação, expulsou várias tendências que compunham suas fileiras (Convergência Socialista, Democracia Socialista, Teologia da Libertação...). Como aconteceu em todo o mundo, com a queda do socialismo no Leste Europeu e na URSS em 1989-90, a social democracia se aproximou muito da proposta neoliberal e vem, via pacto social, tentando sustentar tal aliança insustentável. Agora, que já não lhe servem mais, querem jogar o PT e toda sorte de social democracia, no lixo da história, sem poupar todo o conjunto da esquerda.
Por outro lado, é lamentável termos que assistir tão mesquinha bandeira que querem nos fazer empunhar alguns partidos que se autoproclamam 'oposição de esquerda' neste momento em que está na pauta do dia um golpe contra a democracia: é cansativo além de simplista, grosseiro, superficial e extremamente pragmático ouvir o mesmo bordão: ‘Fora Pezão’, ‘Fora Paes’, ‘Fora Dilma’, ‘Fora Bolsonaro’ e, mais recentemente, desde o segundo semestre de 2015, ‘fora todo mundo’. Ou seja: estamos a favor do golpe!? É o que parece. Afinal qual é a diferença entre o ‘Fora Dilma’ do PSTU e o ‘Impeachment já’ midiático? Outra questão: já pensou se o ‘Fora Dilma’ ou o ‘Fora Pezão’ acontecem: Sai a Dilma do PT e entra o Michel Temer do PMDB, se este também sair, entra o famigerado Cunha (presidente da Câmara Federal). Se sair o Pezão (PMDB) entra o Francisco Dornelles (PP), nomeado em 1979 Secretário da Receita Federal pelo general João Figueiredo. Onde foram parar nossas bandeiras históricas? Por que não puxar as seguintes palavras de ordem: Fora FMI! Fora Banco Mundial! Fora Rede Globo! Fora Fundação Airton Sena! Fora Fundação Roberto Marinho e seu Projeto Autonomia! Fora neoliberalismo! Reversão das privatizações já! Abaixo às terceirizações! Pela Auditoria da Dívida Pública! Pela ampliação dos gastos sociais pelo governo Pezão e Dilma! Abaixo o projeto ‘Escola sem partido’! Cumpra-se os 10% para a educação, mas sem O.S.’s e ONG’s, O petróleo é nosso! O pré-sal é nosso! PSDB e sete irmãs: tirem as garras do pré-sal! Trabalhadores, uni-vos! Golpistas não passarão! etc. etc. etc.
Ao PT só resta um caminho: pôr fim à conciliação com os de cima enquanto congela o movimento dos de baixo. Aliás, um político importante na história deste país merece ser lembrado por suas palavras proféticas, muito bem lembradas pelo jovem João Marcelo em artigo ao Brasil 247 intitulado ‘Sem limites para a patifaria’ : chama-se Leonel Brizola, que certa vez disse: ‘Mas se os dirigentes do PT tiverem aquele subalternismo típico dos pequeno-burgueses e acharem que vão ser tolerados pelo sistema se tiverem bom comportamento, falarem baixo e usarem ternos bem cortados, que preparem-se para, novamente, cair do cavalo. Na hora da verdade, vão descobrir que (...) – serão a esquerda que a direita gosta e cultiva, mas nela não vota, porque só quer dela se utilizar’.
Aliás não precisa ser muito esperto para perceber: se a mídia ataca o governo Dilma é por que este ainda representa alguma coisa de bom para o povo. O PT tem feito um governo que constrói casas populares para os mais pobres, que diminuiu a fatia do orçamento federal que ficava com os banqueiros (70% na Era FHC para 42% na Era Dilma), aproximou-se de processos políticos independentistas como MERCOSUL, CELAC, UNASUL e BRICS, diminuiu a fome e a pobreza no país. Mas, o que falta agora? O PT precisa sair do isolamento construído pela mídia golpista. Precisa se aproximar do povo, mas para isso, precisa fazer mea-culpa, voltar a abraçar as bandeiras populares e chamar os partidos e movimentos sindicais e populares, ouvi-los, escutar seus anseios e propostas e romper com a elite burguesa traiçoeira e apátrida, e sua mídia golpista que não para de criar um clima de instabilidade econômica e política, de insegurança, para obrigar o governo Dilma a capitular e se afastar cada vez mais das massas. Enquanto as forças políticas do governo, acuadas, se afastam das massas à medida que cumprem com a pauta reacionária que lhes é imposta, a Globo segue seu trabalho de conquista de corações e mentes para o que há de pior: o golpismo antidemocrático, neoliberal e neoconservador (ou seja: a pauta nazifacista).
Nos últimos dias queria destacar três colocações:

  1. A fala de Hildegard Angel em entrevista à Brasil 247 em 06/03/16 que diz: ‘Vergonha dos companheiros da imprensa – não mais os chamarei de companheiros – que ajudaram a fazer ferver esse caldeirão para desestabilizar o Brasil e promover o caos, disseminando meias verdades, verdades transversas, dados manipulados, insinuações cínicas’.
  2. O Art. 5º - LVII da Constituição Brasileira: ‘Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória’.
  3. E o trecho de Artigo do cientista político Roberto Amaral, publicado no Brasil 247 sob o título ‘O impeachment de Lula’, quando este afirma muito contundentemente: ‘Nas ruas de Berlim sob o nazismo multidões ensandecidas julgavam e puniam seus adversários. Turbas envenenadas pela propaganda estimulavam a perseguição aos dissidentes, condenados aos campos de concentração, independentemente de culpa, mas simplesmente por serem judeus, comunistas ou homossexuais. No vestibular da Guerra Fria o macarthismo, sem precisar refazer a Constituição ou as leis, instalou nos EUA a perseguição política e o terror, em nome de um nacionalismo xenófobo e de um anticomunismo de indústria’.

E já ia esquecendo de uma matéria que precisa ser difundida, sobretudo para os que pensam que a Globo é SANTA: também saída das páginas online de 'Brasil 247': intitula-se 'Pimenta e Wadih pedem investigação contra Globo', que contém um PDF em anexo com 16 páginas bastante esclarecedoras de um documento assinado pelos deputados Paulo Pimenta e Wadih Damous, ambos do PT: clique aqui para lê-lo ou no último link da própria matéria.

Como se pode perceber a Globo é a organizadora do golpe. Mas para que ele não ocorra também por aqui, é hora de tomar às ruas e dizer aos golpistas: ‘NÃO PASSARÂO!’

Renato Fialho Jr.